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VCT Americas ganhou uma nova atração fora do servidor durante o evento presencial realizado no Brasil. Enquanto os jogadores disputavam as partidas no palco, torcedores circulavam pelo local em busca de um tipo diferente de lembrança: photocards de jogadores distribuídos gratuitamente por Vitória Coutinho e Ingrid Kaori.
A ideia rapidamente chamou a atenção da comunidade. As fãs produziram cards com um jogador de cada equipe e os entregavam em pacotinhos, fazendo com que o conteúdo fosse uma surpresa até o momento em que o torcedor abria a embalagem. A dinâmica ainda incentivava a troca entre fãs, criando uma espécie de coleção informal durante o evento.
Para Vitória, a ideia surgiu a partir de uma experiência vivida na Ásia. No ano passado, ela viajou para a China para acompanhar o Worlds de
League of Legends e teve contato com a cultura de photocards e brindes distribuídos por fãs. A experiência ficou na memória e acabou sendo levada para outros eventos de esports. “
Eu cheguei ano passado na China. Uma amiga sugeriu que levasse photocards porque as chinesas gostavam disso, dessa cultura de photocard e plaquinhas. E foi nisso que eu fiquei com isso na cabeça dessa cultura asiática e levei para o Masters em Santiago cards da FURIA e trouxe para cá também”, explicou Vitória.
Vitória Coutinho e Ingrid Kaori no VCT Americas. Foto: Vitória Coutinho
Da inspiração à parceria
A aproximação entre Vitória e Kaori aconteceu de forma natural. Kaori já tinha o hábito de presentear jogadores e produzir desenhos relacionados ao cenário competitivo, enquanto Vitória tinha a ideia de transformar os jogadores em photocards. “Ela gosta muito de presentear os players. Ela fez desenhos, foi tudo muito natural. Ela começou a fazer desenhos de personagens. Eu tive a ideia dos photocards. Aí então ficou sticker, photocard e a gente foi indo bem aos poucos mesmo e combinou naturalmente”, explicou Vitória.
Kaori, por sua vez, trouxe outra referência para o projeto. Fã de k-pop há anos, ela está acostumada com uma cultura na qual torcedores produzem e distribuem brindes em shows e eventos para outros fãs. “Eu sou uma fã de K-pop de longa data e nesse meio é muito comum quando tem show de artista ou algum evento assim, as fãs fazerem brindes umas para as outras”, contou. Para ela, a realização do evento presencial do VCT Americas no Brasil era uma oportunidade de transportar essa cultura para o cenário de esports.
A inspiração não veio apenas do K-pop. Kaori também citou a força da cultura de fãs no
VCT Pacífico e no
VCT China, onde é comum encontrar banners, photocards e outros tipos de brindes produzidos pelos próprios torcedores. Ela também relembrou a passagem da
pelo Brasil durante o First Stand de
League of Legends, quando fãs internacionais produziram brindes relacionados à equipe coreana para distribuir aos torcedores no evento.
Meses de preparação
O projeto para o VCT Americas começou meses antes do evento. Kaori conta que começou a planejar os brindes assim que soube que haveria uma etapa presencial no Brasil. Inicialmente, a ideia era produzir adesivos relacionados a todas as equipes, mas questões de logística, custo e tempo fizeram com que o projeto fosse reduzido. Ainda assim, ela conseguiu criar referências para cinco organizações latinas da região: KRÜ, LOUD, MIBR, FURIA e LEVIATÁN.
Caster brasileiro, Nyang, mostrando o photocard do Aspas em sua livestream. Foto: Twitch/Nyang
As artes foram produzidas pela própria Kaori e buscaram fazer referências a jogadores e elementos reconhecíveis de cada equipe. Para a Leviatán, por exemplo, ela criou uma referência a Neon, com referência ao agente utilizado por Rodrigo "spikeziN" Lombardi. Na FURIA, utilizou a Deadlock de Luiz "basic" Tessaro ao lado do mascote da organização. Já o adesivo do MIBR retratou a Jett de Erick "aspas" Santos deitada na cadeira, em referência a uma pose frequentemente associada ao jogador.
A surpresa virou febre
A estratégia de colocar os cards em pacotes aleatórios foi parte importante da experiência. Em vez de escolher diretamente o jogador, os torcedores precisavam abrir o pacote para descobrir qual card haviam recebido. A iniciativa foi divulgada previamente no X, fazendo com que alguns fãs já procurassem Vitória e Kaori no evento. Outros encontravam as duas por acaso e se aproximavam por curiosidade ao ver a movimentação. “Eu não esperava que fosse ser tão grande assim também, que as pessoas fossem gostar tanto. As pessoas realmente gostaram muito”, afirmou Kaori.
Kaori também fazia questão de incentivar os torcedores a abrirem os pacotes na hora para acompanhar a reação. “Era muito legal ver as pessoas abrindo os pacotinhos, vendo os adesivos do time que elas torcem ou do time que elas gostam, pegar o photocard do jogador que ela gosta”, disse.
Stickers desenhados por Kaori. Foto: Vitória Coutinho
“K-popificação” do VALORANT
Para Vitória, a popularidade dos photocards representa uma transformação na maneira como os fãs se relacionam com os esports. “Eu acho que eu chamo isso de ‘kpopificação’ do VALORANT e dos esports. Eu acho que é legal ter algo pequeno e significativo que lembre o time que você gosta”, afirmou.
A proposta, porém, ia além de simplesmente entregar uma lembrança. As duas fizeram os cards aleatórios justamente para estimular a interação entre os torcedores, e essa dinâmica acabou acontecendo durante o evento. Torcedores que receberam cards de jogadores que não eram seus favoritos procuravam outras pessoas para tentar realizar trocas. “Eu peguei de um jogador, mas eu não gosto tanto dele. Você pegou do meu jogador favorito e você gosta desse que eu peguei, que eu não gosto tanto. Você troca comigo?”, exemplificou Kaori.
Para Kaori, essa interação é justamente um dos principais motivos para a cultura de brindes funcionar tão bem entre fãs. “Eu acho que as pessoas não apenas gostam de distribuir coisas para deixar o outro mais feliz, mas também tem muito disso de fazer parte de um momento na vida de outra pessoa”, disse Kaori. Para Vitória, a reação dos torcedores mostrou que a proposta cumpriu justamente esse papel. “Eu gosto de fazer as pessoas felizes e eu acho que funcionou bastante”, concluiu.