31.08.26 - 16:0031.08.2026 - 16:00·6m6 minutes de lecture·
Par Diniz
LØS Brandão: "O principal objetivo é retomar nossa identidade"
Assistant Coach da LØS analisou a queda de rendimento da equipe, a adaptação ao novo meta e a evolução de Feisty ao longo do split
🇵🇹Português
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“Queremos usar essas duas semanas para firmar essa nossa nova identidade”
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A chega aos playoffs do CBLOL 2026 depois de apresentar uma campanha consistente ao longo de boa parte da fase regular, mas também enfrentar uma queda de rendimento nas últimas semanas. A equipe, que chegou a dominar a competição durante o período em que o meta favorecia composições com suporte de roaming e magos na bot lane, precisou se adaptar às mudanças recentes no jogo.
Em entrevista exclusiva ao Sheep Esports realizada neste sábado (29) após a vitória contra o , Felipe “Brandão” Brandão, Assistant Coach da LØS, analisou as dificuldades enfrentadas pela equipe durante a transição de meta e explicou como os resultados recentes serviram como um alerta para o elenco. O treinador também falou sobre a evolução de Jeong "" Seong-hoon e o protagonismo que o jogador assumiu dentro da equipe ao longo do split.
O que ainda falta para a LOS chegar aos playoffs pronta para brigar pelo título?
Felipe “Brandão” Brandão: “Primeiramente, o que mudou muito para a gente foi o meta, e isso foi inevitável. No meta passado, com o suporte de roaming e os mages bot, a gente estava na frente de todo mundo, indiscutivelmente. Voltando para um meta um pouco mais standard, acredito que a gente desacostumou muito a jogar dessa maneira. Não que a gente não saiba, até porque antes do meta dos mages era o mesmo meta, então acho que a gente precisa se adaptar de novo. Essa foi a maior dificuldade nas últimas semanas. A gente decaiu um pouco de nível, mas precisa entender qual é a identidade que a gente quer voltar a ter, já que não dá para continuar na mesma coisa que estava no meta anterior. Acredito que a questão seja adaptação também.
Durante essas semanas, a gente testou muitas coisas. Cogitamos até continuar jogando com os mages, tentamos ver em quais situações dava para jogar e em quais não dava. Hoje, por exemplo, jogamos com a Seraphine. Ainda estamos testando muita coisa para poder criar uma identidade mais sólida desde que o meta mudou. A gente vai ter duas semanas até jogar os playoffs e quer usar esse período para firmar essa nossa nova identidade. Ter mais certeza do que a gente quer, do que quer jogar, quais são as nossas prioridades e, aí sim, se firmar no meta e ser sólido de novo. Acredito que a gente decaiu muito tanto pela mudança quanto pelos testes que estamos fazendo. Então, o principal objetivo é retomar nossa identidade.
A oscilação recente preocupa a comissão técnica?
Brandão: Primeiro, a derrota é muito boa para a gente poder acordar. Ganhar tanto assim, indiscutivelmente, não é bom no geral, porque faz você naturalmente se acomodar mais, parar de prestar atenção nos detalhes e, às vezes, jogar no automático em algumas situações. Acho que isso foi a primeira coisa, para a gente acordar. A segunda coisa é que preocupa a gente, mas foi mais um chacoalhão para podermos acordar e nos colocar no trilho de novo. Acredito que estamos fazendo isso. Na semana passada, quando perdemos para a LOUD, eu tive muitas reclamações com o time sobre a nossa semana de treino. Pessoalmente, tinha achado que a penúltima semana tinha sido horrível e já vinha de outras semanas não sendo muito boas, mas aquela semana antes da LOUD foi a gota d'água para mim. Fiquei muito feliz que, nessa semana, a gente mudou totalmente de postura. Foi uma semana muito produtiva.
Além dos testes que fizemos, jogamos muito mais sólidos nas coisas e nos conceitos que queremos. Perdendo ou não um mapa para o Fluxo hoje, acho que isso não impacta. Estou bem feliz com os outros dois jogos que fizemos. O primeiro jogo teve um pouco de uma catástrofe no top. Principalmente como a gente tinha Seraphine bot, o Gnar não podia ficar tão atrás quanto ficou. Não acho que foi culpa do (Kim Dong-min) também. Acredito que foi um erro de time: deveríamos ter dado cover na hora que eles levaram o top e acabamos não fazendo isso. Deu uma isolada e o jogo ficou difícil por causa disso. Então, não é o que preocupa, perder esse mapa para o Fluxo. Vejo muito mais como positivo as duas vitórias, que foram no nosso estilo, com a gente comandando o jogo, colocando bastante gold à frente e jogando para os objetivos.
LØS durante o CBLOL 2026. Foto: Bruno Alvares/CBLOL
O que estava acontecendo nos treinos ruins e o que mudou na última semana?
Brandão: Primeiro, esse é o problema que eu falo de ganhar, e acredito que não seja só no campeonato. Se você ganha muito no campeonato, muito nas scrims, começa a parecer que você não tem problema. Se você jogar sempre perfeitamente, provavelmente não vai ter, mas não é o caso. A tendência, falando do ser humano mesmo, é você ficar acomodado e não ligar tanto para os erros. O que acontecia é que antes a gente estava muito mais focado, trabalhando os nossos conceitos. A gente não dava nem chance, sufocava os adversários que enfrentava. Com o tempo, a gente não estava tão focado, jogando mais no automático e não olhando tanto para as coisas que vinha fazendo antes. Ainda assim, para o time ser bom, todo mundo estava em um bom momento, todo mundo é bom mecanicamente, e a gente acaba ganhando jogos no dedo, nas fights. Acaba esquecendo os conceitos que estamos trabalhando. Esse tipo de coisa mascara. Apesar de a gente não estar treinando bem e trabalhando os conceitos que queremos, ainda estamos ganhando.
Você não sente que precisa melhorar, voltar a fazer o que estava fazendo, porque no final está ganhando. É difícil enxergar isso. É uma coisa que estou falando há um tempo, umas três semanas, não só eu, mas os outros coaches também. A derrota vem bem para isso, para a gente poder acordar. A mudança de postura de antes para agora, nessa última semana, foi totalmente diferente. Foi bem positivo e acho que isso vai fazer a gente chegar muito forte nos playoffs, porque a tendência agora é a gente focar ainda mais. Hoje perdemos um mapa, entendemos o que exatamente erramos naquele jogo e já é uma coisa para trabalharmos nessas duas semanas. Tudo isso já vem sendo diferente das outras semanas. A gente já tem um propósito, já sabe no que quer trabalhar. Não vamos ficar só olhando para fight ou para coisas individuais, mas mais para o que queremos jogar em time, inclusive na questão da identidade que queremos ter. Tudo isso influencia muito. Para mim, essas últimas semanas, principalmente essa última, foram bem positivas nesse sentido. Acho que estamos tendo uma mudança de mentalidade muito boa.
Como a comissão técnica avalia a evolução de Feisty ao longo do split?
Brandão: Talvez as pessoas não saibam disso, mas quando a gente construiu o time para jogar o circuito, na época nem sabíamos que iríamos para o CBLOL. A primeira peça que tínhamos no time era o (Wallyson Queiroz), porque ele já era um jogador que estava sob contrato, voltando da KaBuM. O segundo jogador contratado foi o Feisty. Então, tínhamos Duduhh e Feisty como as peças principais no time e no estilo que queríamos montar. Tudo foi montado também ao redor deles, do estilo deles e de como acreditávamos que eles iriam desempenhar. Está acabando que está dando muito certo. O motivo pelo qual escolhemos ele desde o começo é que já era um jogador muito consistente. Se você vê as estatísticas de lane, nesse sentido ele sempre foi ótimo, desde o ano passado e neste ano também. Acredito que ele teve um ponto ruim contra o Fluxo no outro split, naquela MD5, e depois voltou à constância.
Temos jogadores como o Duduhh e o Zest, que às vezes ofuscam um pouco ele nesse sentido individual, mas ele é uma peça fundamental para a gente desde o começo. A gente tem o (Gabriel Aparicio) como nosso capitão, mas o Feisty, dentro do jogo, fala demais. Você pode ver que muitas jogadas ao redor dele, no mid game também, na questão de assignment e de proatividade nos sides, normalmente sempre vão vir mais dele. Ele é meio que o coração do nosso time nesse sentido também. Então, acredito que agora, em questão de lane, para mim ele sempre foi ótimo, mas depois do bootcamp da EWC ele está bizarro, em um nível absurdo. Por exemplo, tivemos uma scrim contra a , ele solou o (Jeong Ji-hoon), algo que, no nosso nível, muitas vezes é inimaginável pensar que alguém do nível do Brasil conseguiria fazer. Acredito que o meta é muito bom para ele também. Os bonecos do meta hoje favorecem muito ele. Não é muito diferente de antes, mas acredito que ele se igualou muito na questão de protagonismo do time só com a gameplay dele. Muitas vezes, os outros jogadores também têm muito mais mídia e sabem como trabalhar isso, ele não sabe tanto. Mas, para a gente, ele sempre foi uma peça fundamental desde o começo. Acho que ele só está mostrando e devolvendo essa confiança para o time, a confiança que a gente deu nele.”
