24.08.26 - 14:3624.08.2026 - 14:36·8m8 minute(s) read·
By Diniz
Von sobre assumir paiN como Head Coach: "A responsabilidade é com certeza diferente"
Treinador assumiu o comando da comissão técnica da equipe após a saída de Xero
🇵🇹Português
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“Antes, minha função era mais auxiliar os jogadores e, claro, auxiliar a coaching staff também em relação aos drafts, mas dando mais opinião. De fora, no fim, eu não tinha a voz no stage”
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A passou por uma mudança importante em sua comissão técnica durante o CBLOL 2026, com Gabriel "Von" Barbosa assumindo a posição de Head Coach após a saída de Sin "Xero" Hyeok. O treinador, que já havia trabalhado anteriormente na função e conhecia o elenco, passou a concentrar responsabilidades como reviews, drafts e organização do trabalho da comissão técnica.
Em entrevista exclusiva concedida ao Sheep Esports, realizada neste sábado (22), após a derrota da equipe contra a , Von explicou como a mudança alterou sua rotina e falou sobre as diferenças em relação ao trabalho de Xero. O treinador também avaliou o momento dos drafts da paiN e comentou individualmente sobre Marcos "" Santos e Felipe "" Boal, destacando características que considera importantes para a evolução da equipe.
Conte um pouco sobre como foi a mudança para Head Coach e sua nova rotina na função.
Gabriel "Von" Barbosa: “Essa mudança aconteceu depois da Super Week. A gente teve um dia livre, que foi o dia em que eu recebi a notícia e tive que me preparar. A mudança foi meio de surpresa para mim, mas eu já trabalhei como Head Coach em outros momentos da minha carreira. Acaba que muda muita coisa, sim. Hoje, os reviews são minha responsabilidade, o draft é minha responsabilidade, como vai ser feito o trabalho pós-scrim também é algo que eu converso com o Sarkis (Matheus Guimarães) sobre, sobre como a gente tem que se alinhar, como eu vou usar minha staff, como vou usar o fisioterapeuta, como vou usar o psicólogo. Antes, minha função era mais auxiliar os jogadores e, claro, auxiliar a coaching staff também em relação aos drafts, mas dando mais opinião. De fora, no fim, eu não tinha a voz no stage. Então, nas scrims eu também tentava evitar falar. Sempre que eu fosse falar alguma coisa, me direcionava só ao Xero e ao Sarkis, para que isso não afetasse a forma como eles trabalhavam em um dia de jogo. A responsabilidade é com certeza diferente, porque tem que olhar para o Academy, tem que olhar para o CBLOL, tem que olhar para a staff como um todo, como a parte de saúde. Enfim, muda bastante.
O que muda na equipe após a saída do Xero?
Von: O Xero é uma pessoa muito inteligente e isso ninguém pode discordar. Dentro do nosso grupo, inclusive, quando o Xero saiu, a gente também ficou triste por ele. Não é como se a gente odiasse ele. Eu acho que ele foi muito importante para todos que trabalharam com ele. Sempre ouvimos feedbacks bons sobre ele também. O CarioK valoriza muito a forma como ele trabalha, o Ceos também gostou dele, o Boal também gostou dele. Acho que o (Park Jeung-hwan) e o (Kim Joon-cheol) também. Ele foi uma pessoa muito importante para todos, para mim também. Essa saída dele, eu não sei também, mas acredito que seja mais em relação a um desgaste, talvez com alguma forma específica de falar ou de trabalhar ou com a organização. Mas, dentro, para a gente, ele é uma pessoa muito querida, é uma pessoa que foi importante. Eu acho que a principal diferença é que o Xero é uma pessoa que não abre tanto espaço para a conversa e é muito detalhista.
Eu sou uma pessoa que, por mais que eu tenha a minha opinião, assim como o Xero, eu prefiro abrir mais, escutar a opinião dos outros também, dando a minha opinião, mas eu também quero ouvir e quero que as pessoas pensem sobre o que eu estou falando e a gente chegar em um consenso junto. Eu acho que essa é a principal diferença. Mas o Xero sempre foi um cara super solícito também, sempre me perguntava as coisas de draft, sempre me perguntava as coisas sobre o que eu achava de uma play no review. Ele é uma pessoa que sempre confiou muito na staff dele também. Eu acredito que foi mais uma questão de desgaste mesmo. E agora já são duas semanas como Head Coach, eu tenho a minha ideia sobre os pontos principais que a gente deveria trabalhar. Foi mais em relação a isso, sobre o que eu quero alinhar nesse momento com os meninos, o que eu acho que é mais importante.
Como você avalia os drafts da paiN nesse split?
Von: Eu acho que o draft antigamente, quando a gente fala antes do Fearless Draft, era um draft muito mais travado. Você tinha os campeões mais altos do patch, o balanceamento do jogo sempre girava em torno disso, sobre o que ia subir ou descer de prioridade. Hoje em dia, basicamente, existem campeões fortes e o que eu sinto é que a Riot fala: "Vou aceitar e deixar muita coisa forte", e vai buffando muita coisa. Então, quando a gente fala sobre a preparação, eu acredito que é mais sobre como você tem a leitura de como o seu time deve jogar o jogo. Por exemplo, meu time joga melhor quando a gente controla pelo mid, ou controla pelo bot, ou controla pelo top. Então, como eu quero fazer team fight? Eu quero fazer uma fight front to front, eu quero fazer uma fight flancando? Eu gosto de ouvir a opinião dos jogadores e, quando eu ouço a opinião deles, eu valorizo se aquele campeão entra na função que eu quero. É algo sobre como eu penso. Eu não sei exatamente qual era o pensamento do Xero, mas eu sei como ele pensava, que não era uma opinião ruim também.
Eu acho que a gente teve drafts que meio que não tinham uma forma de ser jogados e a gente não percebia isso na hora. Essa foi a principal diferença. Tanto que, mesmo quando eu já não estava no stage, os meus principais pontos com o Xero sempre foram sobre precisarmos ter uma win condition, ou coisas assim. A gente pode ter tido drafts ruins ou drafts bons, mas é mais sobre eu gostar de ouvir a opinião e, se aquilo se encaixar dentro da forma como eu sinto que o nosso time tem que jogar, eu aceito a opinião. Do contrário, digo, "olha, não, esse pick aqui é melhor, vamos por esse". Mas é conversado. Na prática, é mais uma questão de como eu penso ou como o Xero pensa. Acho que não tem um certo ou errado. É mais sobre como a gente monta o resultado final, os picks quatro e cinco fazendo sentido com um, dois e três, e você vai orquestrando isso durante o draft.
Como você avalia o momento de CarioK?
Von: O CarioK é um jogador muito experiente e, para mim, ele é muito inteligente. Eu acho que, assim como todos os jogadores, vão ter momentos em que você vai acertar e vão ter momentos em que você vai errar. Mas eu acho que ele tem sido uma grata surpresa para mim, no sentido da comunicação dele, em como ele controla o jogo. É claro que ele e o (Denilson Oliveira) também têm a melhorar. Porque o Ceos, por mais que eu também já tenha trabalhado, é um jogador experiente também, ele também tem cometido erros teóricos, por assim dizer. Isso vai ser um trabalho de constância. Não é você fazer uma vez nem duas, é você repetir o processo e aí entender o que te levou a tomar uma decisão boa quando você teve que tomar essa decisão, para você tentar entender os processos de tomada de decisão e a linha de raciocínio que você teve. Então, pode ser que haja uma constância, mas, para mim, o CarioK é um jogador muito experiente. Ele pensa bem sobre o jogo, pensa no macro, pensa no micro, pensa em posicionamento, pensa em bastante coisa. É claro que vão ter momentos em que a gente vai jogar mal como um time e a gente almeja a perfeição. Eu acho que toda equipe de esportes almeja sempre a perfeição, assim como a ou os times tops do mundo, mas a gente sabe que não são perfeitos os jogos deles. É mais sobre como você se mantém constante, eu acredito. Sobre como você toma suas decisões, que tipo de informação você passa, que tipo de informação você quer receber. Para mim, o CarioK é um jogador que tem todas essas qualidades e eu espero que ele consiga ser mais constante.
Qual é a importância de Boal para a equipe hoje?
Von: O Boal é um jogador versátil. É mais sobre como eu vejo a prioridade do draft. Eu peço a opinião dos jogadores e quero saber se eles estão confortáveis com as match-ups que podem vir, com os campeões que eles vão jogar. Então, eu vou querer entender quais são as possibilidades que os jogadores vão me dar e aí vou tentar entender o que aquele pick vai conseguir aportar para o time rodar dentro do jogo. O Boal é um jogador que consegue jogar de tanque, consegue jogar de carry. Então, essa questão dele assumir mais o protagonismo não é tão verdade. Eu acho que é mais uma questão de que semana passada os drafts calharam de ser assim. Então, a Akali tem que jogar dessa forma, o Jayce tem que jogar dessa forma... Hoje não necessariamente a gente queria um counter para o Boal para ele ganhar lane do (Guilherme Araújo). Não é isso. A gente vai olhar friamente, racionalmente, o que o Renekton tem que fazer contra Camille, o que o Jayce tem que fazer contra Cassiopeia. E se, por exemplo, já tiver um draft em que eu não preciso de uma pressão top ou um skirmish forte top side, ou algo nesse sentido, ou pressão side para ele, dentro das opções que ele me trouxe, aí eu vou ter que valorar qual métrica do jogo é mais importante para o draft.
Ele pode jogar tanto de tanque quanto de carry. Então, se tiver um jogo em que jogar com tanque top vai ser melhor, com certeza ele vai jogar. Mas ele é um jogador bem vocal e foi uma surpresa muito grande para mim também, sendo bem sincero. Ele é um jogador experiente e eu gosto da forma como ele pensa. Acho que eu e ele pensamos bem parecido em algumas situações. É claro que tem momentos em que a gente vai discordar, eu acho que é natural de qualquer convívio do ser humano, ainda mais quando o seu trabalho é dar feedback e receber feedback. Ele é um jogador que tem se esforçado. Hoje ele foi bem abaixo. A performance dele foi realmente bem ruim. É algo que a gente vai ter que trabalhar, conversar para entender, mas ele é um jogador que, de forma geral, tem me surpreendido e é flexível.”
